quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Mistérios do aleitamento materno são desvendados

Amamentação traz inúmeros benefícios à saúde da mãe e do bebê, mas ainda gera dúvidas

Por Ana Paula Caggiano

Amamentar, além de ajudar a criar um vínculo afetivo entre mãe e filho, proporciona também outros benefícios. Para alertar sobre a importância do leite materno, acontece todo ano em 120 países a Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), de 1 a 7 de agosto. Mas toda hora é hora para se incentivar a prática. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o leite materno traz muitos benefícios ao bebê, pois contêm nutrientes e enzimas, com substâncias imunológicas que o protege de diversas doenças, entre elas alérgicas, infecciosas, crônicas, cardiovasculares, respiratórias e diversos tipos de câncer.

O leite materno também contribui para o desenvolvimento neuro-psicomotor infantil e cognitivo; melhora o equilíbrio emocional do bebê, as respostas às imunizações, o padrão cardiorrespiratório durante a alimentação e aumenta o QI. As mães também ganham com o aleitamento. Há diminuição do risco de contrair o câncer de mama e de ovário, anemia, hemorragia no pós-parto, osteoporose, além de ajudar a emagrecer e a ficar menos ansiosa.

Na hora de amamentar, o importante é que a mãe esteja relaxada, bem apoiada e numa posição confortável. “O corpo do bebê deve estar bem de frente para o corpo da mãe, que deve trazer a boca da criança bem de frente para o mamilo. O bebê deve abocanhar o mamilo com a boca bem aberta, de maneira que ele pegue o bico do seio e também a aréola (parte escura ao redor do bico do seio). Se o bebê mamar corretamente, não vai machucar o seio da mãe e vai retirar melhor o leite, matando a sua fome mais rapidamente e vai fazer intervalos maiores entre as mamadas”, explica a pediatra Priscila Catherino.

A vendedora Selma Ribeiro de Almeida, 31 anos, deu a luz neste mês de fevereiro à sua primeira filha, Bárbara, e diz como foi amamentar. “Depois que ela nasceu, fomos para o quarto e a enfermeira me ensinou a fazer uma massagem nos mamilos e encontrar uma posição segura e confortável para dar de mamar. Fiquei encantada e surpresa porque a neném não teve dificuldade de sugar o colostro e depois o leite realmente”, conta.

A pediatra dá orientações para as primeiras mamadas. “No início, geralmente orientamos que o bebê deve ficar no mínimo 15 minutos em cada mama (sempre dar os dois seios). Na mamada seguinte, deve-se começar pelo seio que terminou a mamada anterior. O intervalo entre as mamadas vai depender da demanda do bebê”, diz a médica, e completa: “Alimentar o bebê exclusivamente com leite materno até os seis primeiros meses de vida e continuar até o primeiro ano da criança, pelo menos”.


Mitos e verdades sobre o aleitamento materno

No período do aleitamento é normal haver dúvidas do que é mito ou verdade, mas é fato que não existe leite materno fraco. Especialistas aconselham que as mães evitem o álcool e o fumo. Quanto à alimentação, não há restrição, desde que seja saudável.

“A princípio não há alimentos proibidos. Em situações de suspeita de alergia alimentar no bebê, em aleitamento materno exclusivo, cujo diagnóstico é bem difícil, pode-se pensar numa dieta hipoalergênica para a mamãe. O importante é a mãe manter uma dieta rica e balanceada, com ingestão hídrica elevada para estimular a produção de leite materno”, diz a pediatra Priscila.

A médica explica ainda que, durante a amamentação, a única pílula anticoncepcional liberada é a de progesterona, e o estrogênio não é indicado neste período. Existem, no entanto, algumas outras formas de anticoncepção, como DIU (Dispositivo Intrauterino), injeção de progesterona etc. No caso de prótese de silicone, não interfere na qualidade do leite se colocada adequadamente. Já na cirurgia de redução, estudos mostram que pode influir negativamente na lactação.

Na higienização dos mamilos e aréolas, evite o uso do sabonete e prefira apenas limpar com água, massageando suavemente com uma toalha felpuda. Deixar os seios expostos ao sol diariamente por até 20 minutos, no intervalo entre 8h e 10h ajuda na cicatrização. Para manter a umidade natural e a elasticidade da pele, use a partir do sexto mês de gravidez o creme protetor para os seios (geralmente creme de lanolina para prevenção de fissuras), indicado pelo ginecologista.

A dona de casa Jacilene da Mota Gonzaga, 33, amamenta o filho Pedro, de um ano e seis meses. “No início da amamentação o bico do meu seio ficou rachado e doía muito, mas com as orientações do médico logo a região cicatrizou. Nunca fui atrás da conversa de outras pessoas, sempre procurei informações com o pediatra do meu filho. Assim, fico sossegada em proporcionar saúde no crescimento dele”, diz.

De acordo com a especialista, quando o bebê está mamando, seja no peito ou na mamadeira, geralmente engole ar (ingestão de ar). Neste caso orienta-se esperar um pouco o arroto. Outra dúvida é se a mãe deve acordar de madrugada a criança para alimentá-la. “Depende do ganho de peso do bebê. Se está ganhando bem peso, não há necessidade de acordá-lo. Caso contrário, sim”, conclui.

Após os seis meses de licença, para que a mulher volte tranquila à sua rotina de trabalho ou de estudo, o leite materno pode ser armazenado sem perder suas propriedades. Através da ordenha mamária manual, com o auxílio de bombas manuais ou elétricas, o líquido pode ser guardado na geladeira por 24 horas, mas não na porta. Já dentro do congelador ou freezer a capacidade é de 15 dias. Para descongelar o leite é necessário deixá-lo em temperatura ambiente ou em banho-maria, nunca fazer isso no micro-ondas.

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